
Chegou hoje a duas cidades do interior da Bahia um sistema itinerante de telecomunicações. O projeto foi idealizado pela Nokia Siemens e já está em testes semelhantes na Índia e na África, com o nome de Village Connection.
Depois dessas experiências, que devem se tornar comerciais em 2009, a empresa decidiu trazer o modelo para a América Latina, onde o Brasil foi escolhido para ser o primeiro e o projeto foi chamado de Expedição Conectando o Brasil.
Como explicou Mário Baumgarten, diretor de assuntos corporativos da Nokia Siemens para a América Latina, a idéia é mostrar que "alcançar 5 bilhões de pessoas conectadas no mundo é possível".
Hoje, dos 6,5 bilhões de pessoas no globo, por volta de 3,5 bilhões têm algum tipo de conexão à internet. O problema dos demais é, no entanto, é o poder aquisitivo.
Por isso, a Nokia Siemens idealizou um sistema onde o custo de implantação, o preço ao usuário e o custo de manutenção sejam baixos para tornar o processo sustentável.
Baumgarten explicou que a idéia é usar uma minicentral que possa ficar na casa ou empresa de alguém da localidade. Além disso, todas as ligações internas são processadas localmente, como forma de reduzir os custos totais de operação.
Um microcomputador centraliza as ligações e emite as faturas, dispensando também que uma operadora tenha de montar toda a sua estrutura administrativa no local.
Desta forma, os habitantes das cidades de Cravolândia e Muniz Ferreira terão a oportunidade de realizar chamadas, enviar torpedos e acessar a Internet. Hoje, essas cidades baianas não dispõem de banda larga ou telefonia celular, por exemplo.
Segundo dados divulgados pela Nokia Siemens, nas regiões onde ela levará o projeto para testes, a população não dispõe de mais de 3 dólares por mês para gasto em telecomunicações.
A empresa ainda não tem os dados específicos para o Brasil, mas a realidade não deve ser diferente de outras nações emergentes. Por isso, salienta Baumgarten, qualquer solução que queira atingir as pessoas hoje banidas dos serviços de telecomunicações tem de se viabilizar nessa média de preço.
A Nokia Siemens quer demonstrar que isso é possível, mas em cada um desses países, inclusive no Brasil, um sistema como esse depende muito mais de políticas de governo que das empresas privadas.
(A foto acima foi cedida pela assessoria de imprensa da Nokia Siemens Brasil)
